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Ano Novo Dezembro 31, 2010

Posted by N. in Geral.
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Um ano passou. Nestas últimas horas sentem-se os preparativos para mais uma passagem, mais uma entrada de pé direito, tal como manda a tradição. No entanto, o futuro não nos parece risonho: dificuldades financeiras, aumento de impostos, estamos numa crise que já começou à imenso tempo e ainda não a conseguimos compreender totalmente.

Dizem que é nos momentos de crise que se vê a verdadeira natureza humana, aquilo de que somos capazes, aquilo de que somos feitos, e se é verdade que existe uma série de clichés sobre o tema, não é menos verdade que aqueles que encaram as dificuldades como uma oportunidade de se superarem, conseguem ir mais além…

Durante esta viagem (viagens são a alma de travessas e carris), assisti a mais um episódio de uma série: Pioneer One. Ao contrário de outras tantas, esta não é uma daquelas séries das quais fazemos donwload enquanto vamos dizendo a nós próprios que não tem mal nenhum, não. É algo novo, algo que ainda não tinha sido feito: uma série criada inteiramente por donativos, e distribuída online, sobre bit-torrent, de todos para todos. O conceito é deveras interessante e face às dificuldades é possível imaginar as vozes contra aqueles que pensavam no início do projecto e no entanto, dois episódios estão lançados, outros já dois em edição.

Por cá às dificuldades vão aumentando. Tal como referi à pouco, iremos ter um ano complicado pela frente enquanto nos queixamos das políticas, dos aumentos de quem não devia ter, dos cortes que iremos suportar. Não gosto de pensar que este pensamento é típico pensamento Português, queixar-se das dificuldades como se fosse o passatempo Nacional, logo a seguir à felicidade dos golos na baliza do adversário…

Independentemente dos tempos que se avizinham, devemos encara-los com um sorriso, olhar para eles não como algo que não devia acontecer mas como um desafio! E são os desafios que nos transformam, que nos moldam e nos permitem crescer.

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No fundo do Baú Março 8, 2010

Posted by N. in Geral.
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“A noite estava fria, o céu num azul escuro, quase preto, onde não se viam estrelas, nem sequer a lua. Uma brisa ligeira soprava por entre os escombros da antiga cidade, sussurrando-nos ao ouvido. Ali em tempos fora um mercado, animado, sempre cheio de gente dum lado para o outro, com o cheiro do peixe e da fruta, dos enchidos, fumados, do queijo da serra… O vento parou.
Naquela noite o frio era falso, provocando uma sensação inquietante, na verdade estava quente, muito quente. O céu, outrora limpo, escuro, calmo, estava agora iluminado por estrelas cadentes… baixas… rasteiras… bastava esticar o braço para as agarrar e guardar no bolso. Mas estas não concediam desejos, tiravam sonhos, acabavam com alegrias, levando consigo as tristezas também…
Um ultimo assobio… uma ultima luz… alguém tinha parado aquele momento causando um silencio tão assustador que nenhum de nós o quereria sentir. Ficaram só as memórias, as velhas histórias do passado…

– Vamos… por ali… rápido!
– não… é melhor por aqui…
– nem penses… vamos pelas escadas… temos mais protecção…
– e achas que eu quero saber disso? por aí é morte certa, é melhor contornar isto.
– não temos tempo… são cerca de 300m… nós conseguimos…
– espero que sim…

Abanei a cabeça. Não tínhamos hipóteses. Demorávamos mais tempo ao ir por dentro das casas, por entre a pedra e o granito que saía do chão, mas era preferível a ir pela rua abaixo. Trezentos metros de campo aberto com betão e aço caídos, contorcidos, desfeitos. Inúmeros cantos e recantos para se esconderem mas ele não ligava. Falando baixo, o mais que podia, tentei convence-lo de que aquele caminho não era uma opção.
– calma… pensa bem no que vais fazer… sei que não temos tempo… mas tudo é preferível a fazer isto…
Sorriu. Olhou para mim com aquele ar de confiante que sempre teve, apesar de não o ver bem, podia senti-lo. Por momentos pensei que tudo ia correr bem, mas uma outra sensação se apoderou de mim. O medo. O medo de não ver mais a lua e as estrelas, de sentir a brisa do mar numa tarde quente de verão, sentado na areia, pensando no nada…”

08-07-2004

Diversos Março 2, 2010

Posted by N. in Geral.
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Como podem ter reparado, travessas e carris desapareceu nos dois primeiros meses do ano. Foram um género de férias judiciais, mas ao contrário: desaparece-se no frio que ninguém há-de reparar.


Para os mais desatentos, e depois da crise na Madeira, o País esteve em alerta vermelho e laranja no sábado passado. Sempre me fez um pouco de confusão o que é um alerta laranja ou um alerta vermelho, para além do óbvio das cores. Assim, e aproveitando um par de carris, fui confirmar o que diziam:


Pode não se ficar muito com noção do que é um alerta Laranja, mas depois de estar lá, se mete respeito? Mete!


Tem existido uma série de temas que pelo seu conteúdo reflectivo ou pela sua disparidade com as comuns conversas, mereciam estar aqui: desde a política à sociedade, passando pelos momentos nas casas de banho de um escritório (ficando a promessa que irá ser criada essa rubrica).
No entanto, existem certas coisas que nos deixam, digamos, pensativos. Nem é tanto o facto de ter algo específico para pensar ou mesmo algum problema a resolver. Mas prende-se com aqueles dias em que sendo normais e até nos dão uma sensação de terem sido dias quase bons, acabam por se revelar em mais um dia que nos deixa a pensar.

Quer seja por algum acontecimento, quer seja por algo que sentimos, quer seja por algo que não esquecemos, existe uma linha ténue que separa aquilo que temos na mente e fazemos por não pensar, da invasão de uma série de… bem, na verdade, de um vazio que nos preenche.

Embora exista a tentação de tentar perceber o que leva a transitar de um estado para o outro, compreender como funciona o interruptor, de modo a ligar ou desligar conforme os casos, a questão que se deveria de colocar é o porquê de isto acontecer. Mesmo assim, a questão é mais ou menos secundária. A pergunta em si é vaga. A resposta é mais vaga ainda. As questões acabam por se misturar, causando ainda mais confusão.
Existe algo que se aprende em gestão e/ou liderança, que por vezes escapa mesmo aqueles que gerem: aquilo que nos afecta pessoalmente, reflecte-se nas decisões que tomamos. Simples não é? E é exactamente por ser simples e óbvio que nos escapa.

Quer exista algo que nos afecte só a nós, a outra pessoa, ou a um conjunto de pessoas, quer seja uma situação pessoal ou profissional, aquilo que nos leva a cair no vazio que por vezes sentimos tem de ser encarado não de uma forma do porquê transitar de estados, mas do porquê acontecer essa mesma transição de modo a que esta possa ser superável. Ou seja, a não ser que interiormente tentemos encarar aquilo que nos afecta de uma forma directa, e posteriormente resolver aquilo que fazemos e afecta as outras pessoas (caso faça sentido), posso-vos garantir que voltará a afectar-nos: não existe um botão on/off que faça desligar.

…Sim, as vezes resulta, as vezes adormece, mas é tão certo como as ondas na praia: a água recua, a água avança…

Tecnologias Dezembro 24, 2009

Posted by N. in Geral.
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De certa forma sou um aficcionado pela tecnogia. Não tanto em termos de consumo, até porque a questão financeira é sempre uma questão relevante, mas de saber novidades, de estar por dentro daquilo que existe e do que está para vir.

Vivemos no mundo da nanotecnologia e embora estejamos a dar os primeiros passos em diversas áreas, a evolução a que assistimos é no mínimo fantástica. A capacidade dos computadores comuns duplica a cada 18 meses tornando as máquinas de hoje obsoletas amanha.
Não obstante à tecnologia ser algo maravilhoso que nos facilita a vida, também não é menos verdade que nos torna mais dependentes dela. Já o disse várias vezes mas existem situações que relembram o porquê da questão.
Quer seja no trabalho ou noutras actividades não podemos deixar de ter consciência daquilo que é importante. E apesar da tecnologia ajudar-nos a atingir os nossos objectivos também contribui para a perda de paciência, para as dores de cabeça e para a falta de vontade que em nada tem a ver com o resultado que deveríamos obter.

Travessas e Carris chega-vos desta vez através de uma maçã. Digo e continuarei a dizer que as maçãs são boas para as saladas de fruta, embora esta pequena até tenha a sua utilidade… E como sempre, dentro de algo em movimento, por estes trilhos de Portugal.

PS: Um bom Natal a todos os que nesta altura visitam este espaço!

Apesar de tudo, é simples Dezembro 12, 2009

Posted by N. in Geral.
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Para algumas mentes curiosas, “Travessas e Carris” não é sobre comboios, mas foi criado e é mantido dentro de comboios (e consequentemente, sobre Travessas e Carris). Fica aqui a prova, de mais uma viagem.


De certa forma não consigo transmitir o que quero, nos momentos em que preciso. Por mais que tente, simplesmente não vou lá. Ironicamente, situações semelhantes que não me envolvam directamente, são mais simples de ver, mais simples de explicar e mais simples de apontar para uma possível solução, mesmo que esta de simples nada tenha.

As empresas são algo curioso: um micro eco-sistema em que acontece de tudo um pouco.
Existe uma série de relacionamentos entre as várias pessoas e uma série de pessoas que não se conhecem, mas que trabalham para um objectivo comum. Uma das falhas que pode existir é esta mesma consciência do objectivo comum que nem sempre está claro. E um dos problemas de entender este objectivo comum é que ao nível pessoal, todos temos outros pequenos objectivos para o trabalho que fazemos. Conjugar tudo, é complicado e requer alguma reflexão e concentração de cada um de nós, algo que implica despender tempo. Por outro lado, a própria mecânica da empresa torna esta situação mais complexa, levando a que não haja tempo para se pensar no pormenor. Tentar conjugar tudo, pode levar a diversas situações, sendo que uma delas, e devido à complexidade de todo o eco-sistema como um todo, é a confusão, gerando conflitos e problemas daí subjacentes.
A beleza de um eco-sistema é que pode ser analisado a aplicado noutras áreas que à partida não se relacionam. Outro ponto interessante é que os próprios eco-sistemas parecem ser fractais, multiplicando-se e desmultiplicando-se à medida que se entra em profundidade ou se abstrai deles.

As relações entre duas pessoas pode ser semelhante mente analisada. No entanto, não por ser mais complexa mas por ser mais emotiva, não nos é tão fácil chegar a conclusões simples. Relativamente a este ponto, devo admitir que não sei muito bem o que escrevo. Embora tenha a capacidade de extrapolar diversos assuntos e aplica-los noutras áreas, já se torna complicado aplica-los num campo mais pessoal. Não porque não seja simples, mas por ser simples e óbvio, também se torna simples de complicar.
De certa forma não consigo transmitir o que quero, nos momentos em que preciso. Não sem complicar aquilo que é simples, não sem querer explicar aquilo que verdadeiramente não conheço. Apesar de tudo, é simples.